Manual De Bateria

Baterias:

O INSTRUMENTO

A bateria é um conjunto de tambores de diversos tamanhos e timbres e de pratos arranjados de modo conveniente para serem tocados por um único percussionista (baterista). Este instrumento musical tem sido componente da música contemporânea desde os anos 20, como o jazz.

Não há um padrão exato de como deve ser montada uma bateria, O set é montado conforme o estilo musical e preferência pessoal do baterista, bem como suas possibilidades financeiras e de transporte. Um set tido como mínimo contém um bumbo no chão tocado com um pedal, uma caixa num suporte específico, dois tom-tons sobre o bumbo, um surdo, um chimbal, um prato de condução (também conhecido por ride, como no inglês) e um prato de ataque (crash) em suportes à esquerda e à direita.
O baterista se senta com a caixa entre suas pernas, o pé esquerdo sobre o pedal do chimbal e o direito sobre o do bumbo. Ele normalmente toca com as baquetas convencionais, mas pode também usar vassourinha, as próprias mãos, baquetas de xilofone e outras.

BUMBO (BASS DRUM)
É a peça mais grave da bateria. Tem um som forte, geralmente mais abafado que as outras peças da bateria.

CAIXA (SNARE DRUM)
Usada em combinação com o bumbo na execução de quase todos os ritmos, o som dela é na maioria das vezes seco e médio-grave.

CHIMBAL (HI-HAT)
O chímbal é usado para fazer a condução na música. Seu som é agudo e formado por dois pratos que se tocam no momento que acionamos o pedal da máquina de chimbal com o pé.

TOM-TOM
Usamos para dar o “colorido” extra no ritmo que estamos tocando.
Basicamente as baterias vêm com dois tons, o menor (mais agudo) e o maior
(mais grave).

PRATOS
Há dois tipos de pratos que podemos chamar de base:
1. Condução (ride): em que conduzimos a música. Nele também podemos
usar a Cúpula (bell ride).
2. Ataque (crash): usado para início do tema, um acento na música ou
final de um filI (que é “uma virada” nos tons e tambores, terminando no prato
de ataque).

SURDO
Depois do bumbo é a peça mais grave da bateria. Faz a ligação dos tons para o bumbo. A afinação do surdo é médio-grave ou grave.

O SOM
A característica do som de cada tambor depende de vários fatores: o material do casco, o tipo de pele, a força do impacto da baqueta na pele, a área do impacto, a tensão da pele e a acústica do local.
Sofrendo a influência de todos esses fatores, a variedade de sons que podemos obter de um tambor é ilimitada. Um fator importante que atua nessa variedade de sons é a tensão que está sendo aplicada sobre a pele
- que é a afinação. Tanto a composição quanto as medidas de altura, diâmetro e espessura do casco influenciam no timbre, volume e sustentação do som; mas a pele contribui em grande parte nas características do som final obtido. A afinação da pele depende das características do casco, da tensão da pele de resposta e de sua relação com a afinação dos outros tambores. Cada casco tem sua vibração numa certa frequência.
Você pode determinar essa frequência pegando o casco sem as peles, segurando-o levemente, e golpeando-o levemente com uma baqueta de feltro ou borracha.

Quando a pele está sendo afinada, comece por uma afinação baixa (pele solta) e gradativamente vá aumentando a tensão. Você vai perceber que em alguns níveis de tensão a pele vibra bastante, enquanto que em outros ela parece “morta”.
O que acontece é que a frequência de ressonância do seu casco (a frequência na qual o casco vibra) também contribuirá para a vibração da pele, ou poderá cancelar essa vibração. O objetivo é encontrar aquele ponto onde a pele e o casco “trabalharão” juntos.
A pele é fixada na borda do casco por um aro; o aro é fixado pelas canoas. Apertando os parafusos o aro pressiona a pele contra a borda do casco. Quanto mais apertada a pele, mais alto será o som do tambor quando percutido. Quando se colocam peles novas, alguns bateristas recomendam você colocá-las no tambor, apertar bem os parafusos e deixar assim por algumas horas com a pele bem esticada, para tirar as tensões da cola que fixa a pele no aro. Depois que fizer isso, retire a pele do tambor e comece o processo de afinação. A primeira regra básica para afinação de tambores é esticar a pele de forma uniforme, ou seja, todos os parafusos devem estar com a mesma pressão. Assim, seu instrumento estará bem próximo de um som equilibrado. Pegue a chave de afinação, escolha um parafuso e dê meia volta no sentido horário. Agora vá para o parafuso do lado inverso e dê a mesma meia volta. Você repetirá estes movimentos em todos os parafusos. Todos os parafusos devem ser apertados da mesma forma: caso um lado esteja mais apertado que o outro, além de estarmos fugindo da regra básica de afinação, corremos o risco de empenar o aro. Repita esse processo até o momento em que, apertando o centro da pele com o dedo, não haja nenhuma parte enrugada. Se apenas um lado apresentar rugas, aperte o parafuso referente a este mesmo lado. A ideia de afinar o tambor utilizando meia volta de cada vez é exatamente para termos a certeza de que a pele está sendo esticada por igual. Podemos afinar a bateria com uma afinação mais alta (aguda) ou mais baixa (grave), isto depende muito do gosto pessoal e do tipo de som que se pretende tocar. Toque com a baqueta no centro do tambor e ouça o som: se você achar que o som ainda está grave, aperte os parafusos mais um pouco.

Neste estágio seu tambor está praticamente afinado. Falta apenas uma micro-afinação que será feita da seguinte forma:
Com o dedo indicador, aperte o centro da pele e, com a própria chave de afinação, toque no canto da pele (próximo ao parafuso) e confira se todos os cantos produzem o mesmo som. Caso positivo, seu tambor está afinado.
Observação: a caixa, geralmente, possui uma afinação mais aguda e o bumbo, por ser maior, mais grave. No caso do bumbo, se for do seu agrado, pode-se deixar a pele mais frouxa.
Parafuso apertado
= som mais agudo e parafuso frouxo = som mais grave

TENSÃO DA PELE DE RESPOSTA
Mesma tensão para as duas peles: Isto produz um som com bastante “sustain”
- (boom). O ataque pode ser preciso, depende da tensão da pele de cima (batedeira), e sua ressonância será longa. Sem uma variação de tensão entre as duas peles o som ficará “morto”.
Pele de baixo com menor tensão que a de cima: O “decay” e “sustain” são diminuídos. Pouca definição de timbre. Pele de baixo com maior tensão que a de cima: Permite um melhor controle da ressonância e do timbre. Quando você toca na pele de cima de um tambor, o ar contido é imediatamente comprimido. Isso provoca a ressonância da pele de baixo e a pele de cima, por uma fração de segundo, é levemente abafada pelo contato da baqueta.
Consequentemente a pele de baixo produz o som completo antes que a pele de cima.
Então se a pele de baixo estiver mais tensionada que a de cima, você vai certamente ouvir o som dela ressonar primeiro, seguida pela pele de cima, dando o efeito de “pitch bend”
- (bwow).

COMO MONTAR SUA BATERIA
Em primeiro lugar, posicione o bumbo e o banco (sempre em cima de um tapete) para delimitar o espaço necessário para a montagem do seu kit. Solte os pés das laterais do bumbo e coloque-os para frente. Gire a borracha até aparecer a ponta de ferro. Assim, seu bumbo não andará para frente e não cairá para os lados quando você tocar. Coloque o pedal prendendo-o no aro do bumbo. Aperte a borboleta e teste para ver se está firme. Coloque as duas peças que seguram os tons, chamadas de tom holder, em cima do bumbo, encaixe os tons e aperte a borboleta até firmá-los. As memórias devem ser usadas para fixar os tons e não deixá-los girar. Verifique se a altura e inclinação dos tons estão confortáveis para você. Geralmente usamos o tom menor do lado esquerdo e o maior do lado direito. Caso você seja canhoto, inverta as posições.
Surdo de chão: vire-o e encaixe os três suportes (hastes de ferro) nas três canecas laterais.
Surdo Suspenso: usaremos um clamp e o tom holder mais curto que serão fixados na estante do prato de condução. O encaixe do tambor no holder é o mesmo do tom.
Caixa: A caixa será presa no pequeno tripé com uma garra de três pontos.
Prato: O prato de condução (maior) é colocado do lado direito e o de ataque do lado esquerdo em suas respectivas estantes.
Chimbal: O chimbal, conhecido também como hi-hat, é composto por dois pratos. O prato ligeiramente mais grosso, chamado de bottom, ficará por baixo e o mais fino, chamado de top, será fixado pela presilha. Solte a presilha torcendo-a como uma porca. Retire um dos feltros e insira o prato.
Recoloque o feltro e a pequena porca. Sua bateria está pronta para ser tocada.

Observações:
É muito importante que o posicionamento da bateria esteja de acordo com o seu tamanho. A distância e a altura das peças também devem estar reguladas para você. Isto o deixa confortável no instrumento e facilita a sua forma de tocar. Estas instruções são para montagem de kit’s de cinco peças (bumbo, tom, tom, caixa e surdo). Caso sua bateria seja diferente, adapte as informações ou peça ajuda ao seu professor.

DICAS DE CONSERVAÇÃO
- Sempre que possível limpe o pedal removendo toda a poeira e lubrificando (sem exageros) todas as partes que necessitam desta manutenção. A mola do pedal não deve estar nem muito solta (pois o pedal irá demorar para voltar ao seu ponto de repouso) e nem muito esticada (pois ele ficará muito pesado para ser acionado, dificultando os toques mais rápidos).
- Todo o cuidado com o chimbal é pouco. Por se tratar de uma das peças mais complexas da bateria, evite transportá-lo pelo varão (peça onde é preso o prato de cima) e nunca coloque a baqueta entre os pratos e acione a máquina.